Gestão de Estoques na pandemia da COVID-19

Por Tiago Martins

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Já é sabido ser necessária uma efetiva gestão de estoques de forma a evitar perdas e consequentemente aumentar a rentabilidade de um negócio. Mas ainda assim, podemos observar muitos desafios por parte de indústrias e varejistas em geral.

Obviamente a gestão de estoques está diretamente ligada com outras variáveis de uma cadeia produtiva, sendo a logística, no que tange à cadeia de abastecimento, uma das mais críticas.

Mesmo assim, por que muitas indústrias e varejistas brasileiros, experientes em gestão de estoque, foram bastante impactados com a chegada do coronavírus no país? É de conhecimento que houve, e ainda há, nas últimas semanas um alto índice de ruptura de matérias primas, no caso de indústrias, e produtos em gôndolas nos varejistas.

A resposta é simples: Ninguém estava preparado para a pandemia da COVID-19.

Mesmo a maior economia do mundo, e a mais desenvolvida em gestão de estoques, os Estados Unidos, está sofrendo consequências e dando sinais de fraqueza no que diz respeito, por exemplo, à cadeia de abastecimento de carne no país. Uma prova disso é que instalações estão sendo fechadas, como a unidade do frigorífico brasileiro JBS em Greeley, no Colorado, onde um funcionário de 78 anos morreu devido ao coronavírus.

Não que os EUA estejam ficando sem produtos, mas as prateleiras vazias revelam que a cadeia de abastecimento está sob pressão e que o governo e a indústria têm de resolver a questão juntos.

O mesmo acontece aqui no Brasil e talvez a cultura de operar sem estoque no “just in time” (sistema de administração da produção que determina que tudo deve ser produzido, transportado ou comprado na hora exata) contribua para a falta de produtos nas gôndolas face à flutuação na cadeia de suprimentos potencializada por “fenômenos” como a pandemia da COVID-19.

E o que fazer então? Como as nações podem resolver a questão de abastecimento de suas populações e evitar com que a situação, já crítica, fique ainda mais preocupante? Aumentar estoques? Ou seria ter acompanhado melhor o que acontecia na China e na Europa, e prever que aqui não seria diferente ou até pior, levando em conta o tamanho do Brasil?

Deveriam ter considerado as distâncias entre produtores, distribuidores e consumidores, espalhados pelos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do país?

Na minha opinião a resposta é bastante “abstrata”, mas vale para refletir não só em termos de negócios e economia, mas como também pelo olhar que deve ser dado ao ser humano, e à sociedade.

Tanto os negócios como as pessoas, precisam se “reinventar” com muita rapidez, eficiência e criatividade, precisam passar a contar com situações inimagináveis como a que estamos todos vivendo em pleno século 21.

Tarefa simples? Claro que não! Mas que sirva para todos de lição e seja um estímulo para evitarmos (empresas e sociedade) nos mantermos em nossas zonas de conforto (“Sempre funcionou dessa forma.”).

E que indústrias e varejistas consigam chegar no melhor modelo de prevenção e gestão de crise no que tange às suas cadeias de abastecimento, fazendo de tudo para evitar novamente a falta de produtos para os consumidores e assim contribuindo para melhora da moral e senso de cuidado junto a toda uma sociedade.

Tiago Martins é Sócio de Consultoria da HLB Brasil.

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