Oportunidades para o Brasil pós-Brexit

Por Madeleine Blankenstein

A Câmara de Comércio Britânica abordou recentemente sobre as oportunidades de negócios entre Brasil e Reino Unido depois do Brexit. A partir de janeiro de 2021, o país britânico não fará mais parte da União Europeia e, apesar da abolição do livre comércio e o livre movimento de pessoas entre o país e a UE, ainda existe uma esperança de negociações até o final do ano de 2020.

Com a interrupção das negociações entre países europeus, abre a possibilidade para relações bilaterais entre Brasil e o Reino Unido, podendo ser estabelecida uma mudança estratégica de exportação em alguns setores específicos do Brasil para o mercado britânico, como frutas frescas, produtos de origem animal, móveis, madeiras, metais e minérios. Principalmente ao analisarmos que 50% dos alimentos consumidos lá são exportados.

As instituições inglesas estão tentando abrir as portas para investimentos em nosso país, participando em grandes projetos como o GPA, iniciativa da World Trade Organization, que investe em projetos de infraestrutura ao redor do mundo.

Além disso, a possível entrada do Brasil na OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) gera altas expectativas de novas oportunidades para os negócios bilaterais, porém dependendo da implementação de reformas necessárias, como a tributária.

Com o objetivo de expansão, o Reino Unido está negociando diretamente com a Austrália, Nova Zelândia, EUA e Mercosul. Além disso, com as consequências da COVI-19 e a procura incessante de novas oportunidades de mercado, pode ser uma oportunidade para que novos vínculos e opções de negócios sejam firmados, especialmente com a possibilidade da Universidade de Oxford ter desenvolvido uma vacina que será testada no Brasil, incentivando o setor de “Life Sciences” com produtos de testes, pesquisas do vírus ou a telemedicina.

Outros setores que podem ser atrativos para os dois países são o têxtil, substituindo as compras da China, energias alternativas, mineração, edutech e a indústria automobilística eletrônica, principalmente por serem voltados ao

crescimento sustentável e “energia limpa”, campo que está em ascendência no mercado econômico e que gera grandes preocupações.

Em uma pesquisa realizada pelo Banco Santander, as empresas inglesas mencionaram alguns desafios ao fazerem negócios no Brasil, encontrando dificuldades em aspectos como conexões confiáveis, burocracia, logística, setting up e na execução de operações bancárias. Abrindo possibilidades para organizações como a HLB Brasil, contribuírem para mitigar esses desafios.

Será importante acompanhar as negociações do governo do Reino Unido com a Comunidade Europeia, e ser ágil e flexível para aproveitar as oportunidades que surgirem.

Madeleine Blankenstein é sócia de Relações Institucionais da HLB Brasil

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