Segurança Cibernética & BYO(D)E

Existe uma política de uso aceitável, conhecida como BYOD, com diretrizes para a proteção dos dados nestes equipamentos?

Por Daniella Vendramini

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Você já ouviu falar em BYOD?

BYOD – Bring Your on Device, tropicalizado no Brasil como sendo a política do traga seu próprio dispositivo, empodera os colaboradores no uso de seus equipamentos pessoais, para fins de trabalho, dentro e fora dos perímetros físicos da Empresa.

Não obstante, ele também traz a oportunidade dos CIOs de posicionarem a TI como um facilitador ativo dos negócios, estabelecendo regras básicas para um futuro tecnológico cada vez mais direcionado ao usuário final.

Oportunidades & Desafios

BYOD não é um tema recente, tanto que em meados de 2013 o mercado já o apontava como um fator essencial para melhorar a produtividade e reduzir custos, mas também de incorrer em custos e criar riscos políticos e de segurança ao CIO.

A diferença entre sucesso e fracasso com o BYOD reside em abraçar essa tendência com um equilíbrio entre a ordem do caos e o atendimento aos requisitos do negócio. Ou em outras palavras, entre os controles (necessários) da TI e o ativismo do usuário final.

A menos que essa situação seja resolvida, os CIOs terão cada vez mais dificuldades para:

  • Explorar paradigmas de mobilidade emergentes;
  • Proteger os ativos de TI e intelectuais da organização;
  • Otimizar o custo do fornecimento de suporte, segurança e outros serviços;
  • Ganhar ou manter o reconhecimento como um parceiro de negócios valioso.

Apesar de tudo isso, o BYOD não significa que os CIOs precisam entregar as chaves do reino pois a adoção de uma estrutura baseada em framework e uma governança eficaz compartilhada podem resultar em ativos valiosos, auxiliando no equilíbrio dos objetivos empresariais e pessoais.

E por que BYOD?

O BYOD é tendencioso a acontecer com o apoio da TI ou sem ela. Os usuários finais já demonstram recursos substanciais – como, por exemplo, a escolha do uso de notebook pessoal para fins de trabalho, pela preferência do Macintosh (Mac) – que contornam os controles estabelecidos pela TI para obter o que desejam, enfraquecendo a segurança ou aumentando os custos no processo.

Além disso o BYOD pode evoluir para um pântano de preferências pessoais que têm pouco a ver com os imperativos comerciais. E, dada esta visibilidade, o alcance e o impacto diário do BYOD, a falta de ordem no caos, podem fazer com que a TI pareça desorganizada, arbitrária e reativa.

Só que o mais importante do que a estrutura e a governança sugeridas mais acima é a natureza da colaboração entre CIOs e partes interessadas no negócio. O BYOD forçará os CIOs a substituir estilos de gerenciamento orientados a controle pelo compromisso de negociar soluções mutuamente aceitáveis.

O futuro do BYOD

Após aproximadamente 10 anos utilizando o conceito do BYOD, uma pesquisa feita pelo Gartner e apresentada no IT Symposium destacou que até 2023, 30% das Organizações de TI estenderão a política de BYOD para “traga seu próprio aprimoramento”, em Inglês, BYOE – Bring Your On Everthing, para abordar o aprimoramento humano.

O artista audiovisual e presidente da Fundação Cyborg, Neil Harbisson, possui uma condição humana que desde o nascimento o obrigou a ver o mundo em preto e branco.  Desde os 20 anos, Harbisson tem instalado em si um olho eletrônico chamado eyeborg que permite ao artista escutar as cores. Por este motivo, ele foi reconhecido em 2004 como a primeira pessoa ciborgue, e então podemos considera-lo como um exemplo do que vem a ser este ‘aprimoramento humano’.



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                                         Figura 1 – O ciborgue Neil Harbisson / Fonte: Wikipédia

A pesquisa feita pelo Gartner mostrou que o acesso a este aprimoramento humano se tornará onipresente para consumidores que desejam ser aprimorados pessoalmente. E, consequentemente, as empresas explorarão esses aprimoramentos em seu benefício, concentrando-se na implementação de diretrizes BYOE como uma extensão para trazer iniciativas ao traga seu próprio ‘dispositivo’ (BYOD).

Reflexão

O BYOD (e num futuro próximo, o BYOE) por si só não é estratégico, mas representa uma oportunidade gerenciável para avançar em direção às parcerias que os CIOs precisam permanecer relevantes para os negócios da empresa. Na última década, os CIOs precisaram se concentrar em custo, controle e qualidade em resposta às condições econômicas globais. Essas questões permanecem importantes, mas à medida que os líderes de negócios mudam o foco da eficiência para o crescimento da empresa, os CIOs devem dar um grande salto, mudando também o foco do gerenciamento de TI para a capacitação dinâmica dos negócios.

Em um futuro em que “todo orçamento é um orçamento de TI”, os CIOs deverão dar esse salto para evitar serem atribuídos a uma função amplamente operacional à medida que a empresa avança.



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Daniella Vendramini é gerente de Cyber Security da HLB Brasil.