Recuperação “verde” como aposta para uma retomada econômica pós-pandemia

Por Marcelo Fonseca

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No último mês, a Amazônia registrou em torno de 1.034,4 km² de área em alerta de desmatamento com acúmulo de 3.069,57 km² de devastação ao longo do semestre. No geral, esses números apresentam um aumento de 25% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Esses resultados, e as medidas tomadas pelo governo federal que afrouxaram a fiscalização ambiental, o desmatamento e queimadas na área, além das declarações do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, causaram descontentamento nos investidores estrangeiros e grandes exportadores, pois alegam que os desdobramentos na Amazônia coloca em risco os investimentos nas empresas brasileiras, principalmente o setor da carne bovina, por dificultar o acesso aos mercados internacionais em decorrência à exposição nas operações e cadeias de suprimentos em razão do desmatamento.

Investidores da América do Sul, Europa e Ásia, que administram cerca de US$ 4 trilhões em ativos, cobraram medidas mais assertivas e a interrupção de projetos que aceleram a destruição da floresta, apontando que essas determinações ameaçam a oferta de incentivos no país.

Para aplacar os efeitos econômicos ocasionados pela COVID-19, como também as consequências do desmatamento e as poucas medidas de políticas ambientais, investidores internacionais e empresários locais propõem uma recuperação econômica “verde”, através de uma agenda de investimentos sustentáveis voltadas para uma economia de baixo carbono. Além de controlar e fiscalizar áreas de desmatamento, controle de queimadas e mudanças da legislação ambiental.

A recuperação econômica verde é uma aposta de diversos países para o reestabelecimento financeiro pós-pandemia. Países europeus anunciaram em maio que o fundo proposto para ajustar o bloco econômico terá financiamento direcionado para linhas verdes, com previsão de 91 bilhões de euros por ano para melhorar a eficiência energética e de aquecimento nas residências, €25 bilhões em energia renovável e €20 bilhões para modelos de veículos limpos e instalações de pontos de carregamento em cinco anos, além da previsão de até 60 bilhões de euros destinados para investimento em trens que não poluem.

O objetivo desse método de recuperação é gerar novos empregos, movimentar a economia e atrair novos investidores para o setor sustentável e de inovação, como também modificar o procedimento de trabalho das indústrias poluidoras, transformando em recursos sustentáveis.

Em resposta, o governo brasileiro propôs analisar as exigências e reduzir em um mínimo aceitável o desmatamento e os incêndios na Amazônia, não apresentando, contudo, indícios de ter um plano efetivo para uma retomada verde conforme outros países.

Porém, o modelo de retomada verde pode ser uma considerado uma oportunidade para que o Brasil consiga investimentos necessários para uma reconstrução econômica efetiva, apoio de futuros projetos sustentáveis, além da retomada de uma relação mais amigável com os atuais investidores e empresários locais.

Podemos aguardar futuras discussões e novos desdobramentos sobre o assunto que está trazendo grande preocupação para diversos setores.

Marcelo Fonseca é Sócio e Economista da HLB Brasil

Marcelo Fonseca

Líder do escritório do Rio de Janeiro e Campinas

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